09/12/2011

JC: Na Chesf, Eduardo é exaltado – Na posse do novo presidente da Chesf, governador é elogiado pelo ministro das Minas e Energia e pelo presidente da Eletrobras

Reportagem de Bruna Serra, do Jornal do Commercio

“Se eu não fosse um político de longa estrada no PMDB, mesmo sem o governador Eduardo Campos (PSB) me convidar, assinaria a ficha do PSB”, afirmou, na manhã de ontem o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, durante a posse da nova diretoria da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Maranhense, Lobão é o homem-forte do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), no governo da presidente Dilma Rousseff. As palavras, ao contrário do que se poderia imaginar, não foram proferidas em cima de um palanque.

A plateia que lotou o auditório da empresa não era de eleitores, mas sim de funcionários da estatal, que parecem ter entendido que a troca de comando na estatal atendeu meramente a critérios políticos.

O ministro foi além, ao dizer que, apesar da pouca idade, o governador poderia ser seu professor em matéria de política, frase que arrancou um sonora gargalhada de Eduardo e de todo o estafe energético brasileiro, presente à posse do ex-secretário de Recursos Hídricos do Estado, João Bosco de Almeida, no comando da companhia. Questionado como se sentia ao ser elogiado pelo principal aliado de Sarney, o governador desconversou. “Isso foi uma gentileza do ministro Lobão. Ele está aqui no Estado, quis ser gentil. Foi apenas isso”, afirmou.

Dilton da Conti comandou a estatal por oito anos e sua saída foi retardada porque outros governadores do Nordeste queriam tomar das mãos do PSB pernambucano a indicação para a presidência da companhia, que integra o consórcio responsável pela hidrelétrica de Belo Monte (PA), terceira maior do mundo.

A fala de Lobão foi antecedida pela do novo presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto. O gestor, que participou de uma reunião de monitoramento do governo do Estado, arrancou palmas dos presentes ao relatar o que viu na reunião. “De um lado os que querem fazer. De outro, os que não querem deixar fazer por questões burocráticas. Fico aqui no meio para intermediar e fazermos”, relatou o presidente da Eletrobras, sobre a fala que ouviu do governador ao entrar na reunião.

“Depois disso, rapidamente relatei esse sistema ao ministro, que me respondeu com uma pergunta: ‘Se o governador faz em Pernambuco, porque você não consegue fazer na Eletrobras?’”, contou o Carvalho Neto, provocando palmas do governador e da plateia.

A João Bosco e Dilton da Conti sobrou a tarefa de debater o tema do evento: o futuro da Chesf. E assim se fez. Munidos de extensos discursos prontos,os dois listaram feitos passados e ambições futuras daquela que é a empresa mais lucrativa do sistema Eletrobras.

Fonte: Jornal do Commercio